Santa Catarina terá 6 representantes no mundial de surf 2018

Envidao em 11/04/2016 10:52:13 / Surfe

Santa Catarina terá 6 representantes no mundial de surf 2018

A temporada de 2018 será histórica para o surfe brasileiro. Pela primeira vez desde o surgimento do circuito mundial da categoria, na década de 1970, os atletas daqui serão maioria na elite. Dos 36 surfistas que participarão do World Surf League (WSL) , com etapas nas melhores ondas do mundo, nada menos que 11 nasceram no Brasil. É um contingente superior ao de australianos, sul-africanos, americanos e havaianos, que historicamente dominaram a modalidade.

Entre os brasileiros, são cinco caras novas em 2018. E esse novo pelotão da Brazilian Storm, como ficou conhecida a atual geração nacional, traz o foco do esporte de volta para Santa Catarina, após anos de soberania paulista. Explica-se: dos 11 brasileiros da elite, seis deles são nascidos no Estado ou escolheram o nosso litoral para morar e treinar. 

É uma espécie de renascimento para o esporte em Santa Catarina, que já viveu tempos gloriosos com nomes como a vice-campeã mundial Jacqueline Silva e os irmãos Teco e Neco Padaratz. As últimas temporadas vinham sendo de vacas magras, embora o campeão mundial de 2015, Adriano de Souza, resida em Florianópolis desde 2010. 

Nas últimas temporadas, o Estado contou com poucos nomes de destaque, como Alejo Muniz e Ian Gouveia. A maior parte do glamour ficou com paulistas, liderados por Gabriel Medina e companhia, e potiguares, com a dupla Ítalo Ferreira e Jadson André.

Sucesso de SC era só uma questão de tempo

Para Teco Padaratz, bicampeão do QS (segunda divisão) na década de 1990, o retorno do protagonismo do Estado era questão de tempo, já que sempre houve um trabalho sério por parte da federação local, mesmo com a perda da etapa do WCT para o Rio de Janeiro em 2010.

– O surfe não é uma brincadeira por aqui. Levamos tudo muito a sério. Para ser um atleta profissional, é necessário muita disciplina – opina Padaratz.

A manezinha Jacque Silva concorda e aponta outro fator: a variedade de ondas atrai atletas de outros Estados e ajuda na formação de novos talentos. Segundo ela, mesmo com uma ondulação fraca e vento forte, sempre é possível achar um pico com uma marola surfável:

– Se o atleta quiser, ele pode cair na água todos os dias. 

Exemplo de surfista que veio para Santa Catarina e não saiu mais é Fábio Gouveia, paraibano considerado uma lenda do esporte. Era o ano de 2002 e a sua carreira já caminhava para o fim, mas ele julgou necessário buscar novos ares para “balancear” o seu surfe. Além disso, estava atrás de um local com boa qualidade de vida e de ondas para ajudar no desenvolvimento dos filhos. Diante disso, Santa Catarina foi a primeira opção que lhe veio à cabeça. Para ele, esse hiato de protagonismo catarinense foi um acaso, já que sempre houve investimento na base, o que é fundamental para o surgimento de novos atletas.

– Os astros se realinharam. Todo o resultado que se colhe é fruto de um trabalho anterior. Com um circuito amador forte, a chance de formar um campeão é muito maior — opina Gouveia.

Variedade do clima e de ondas atrai atletas

Outro ponto considerado diferencial de Santa Catarina em relação aos outros Estados é o clima. Com as quatro estações bem definidas, o surfista se adapta mais facilmente às diferentes condições que encontra mundo afora, em especial nos picos mais frios. Como exemplo, Teco Padaratz e Fábio Gouveia lembram uma vez em que foram competir na Inglaterra. Depois de um treino, o catarinense conta que encontrou o paraibano tremendo, com as mãos inchadas e os pés duros:

– Ele ficou uns 40 minutos com a mão em um pote de água quente, reclamando – conta Padaratz, às gargalhadas ao lado do amigo.

Atual diretor sul-americano da World Surf League (WSL), entidade que organiza o circuito, Xande Fontes também acredita que os atuais resultados são fruto de uma organização que foi feita lá atrás. Ele recorda que tanto Tomas Hermes quanto Willian Cardoso se tornaram profissionais quando ele era presidente da Federação Catarinense (Fecasurfe).

– Somos hoje o Estado no mundo com o maior contingente de surfistas na elite do circuito mundial. Eles são a prova de que é o investimento na base que garante sempre o surgimento de novos atletas – opina Fontes.

Veja a matéria competa em: http://dc.clicrbs.com.br/sc/nos/noticia/2018/01/entenda-comosanta-catarina-colocou-seis-surfistas-na-principal-competicao-mundial-10123620.html