Perfeição tubular, corais e briga pelo topo esquentam etapa na perigosa Teahupoo

Envidao em 11/04/2016 10:52:13 / Surfe

Perfeição tubular, corais e briga pelo topo esquentam etapa na perigosa Teahupoo

O idioma local dos polinésios indica o que aguarda os tops da elite na sétima de 11 etapas do Circuito Mundial, na Polinésia Francesa. "Teahupoo" significa "crânio quebrado" por um motivo simples: uma queda ali é capaz de rachar ao meio a cabeça de um surfista. As bombas quebram sobre a rasa bancada de corais e um erro pode causar ferimentos, desmaios e até afogamentos. A cerca de 1 km da costa, o pico do Pacífico Sul recebe ondas de até 10m, dependendo das condições. Este será o palco da batalha pela liderança do ranking mundial a partir desta sexta-feira. Apenas 600 pontos separam o líder Matt Wilkinson (31.950) de John John Florence (31.700) e Jordy Smith (31.350), mas nenhum atleta do top 10 pode ser descartado, e a etapa poderá trazer novos rumos.

Brasileiro mais bem colocado, em quinto lugar, Adriano de Souza (27.900) é outra ameaça a Wilko, ao lado de nomes que vêm ganhando força nas últimas etapas, como o top 7 Filipe Toledo (23.950) e o nono Gabriel Medina (21.000). No caminho para o histórico título mundial do Brasil, em 2014, o surfista de Maresias derrotou Kelly Slater em uma final épica. Bruno Santos foi o primeiro brasileiro a vencer no Taiti, em 2008. O SporTV.com transmite ao vivo as baterias do evento, cuja janela se encerra em 22 de agosto. A chamada para avaliar o mar será nesta sexta-feira, às 14h (de Brasília).

Nem mesmo os mais talentosos surfistas estão livres dos perigos do pico. Jadson André desmaiou com uma pancada na cabeça em 2014, Neco Padaratz foi sugado por uma bomba e arremessado contra os corais em 2000. Ficou preso no recife, mas foi resgatado com vida, embora tenha passado anos para superar o trauma. Maya Gabeira quase morreu no pico em 2011. A carioca ficou desacordada ao levar uma série de ondas na cabeça e foi salva por Carlos Burle. Dois anos depois, ela fraturou o nariz na bancada enquanto gravava um comercial. A havaiana Keala Kenelly também sentiu na pele a força do mar e precisou levar 40 pontos no rosto.

Teahupoo recebeu pela primeira vez os melhores surfistas do mundo em 1997, em uma disputa válida pelo QS, batizada inicialmente de Black Pearl Horue e depois conhecida como Gotcha. O havaiano tricampeão mundial Andy Irons arrematou a taça, na época, com 19 anos. A disputa integrou o calendário da elite em 1999, com vitória do australiano Mark Occhilupo.

Irons também venceu pelo WCT em 2002 e 2010, sendo este o 20º e último troféu de sua carreira. Em novembro daquele ano, ele foi encontrado morto em um hotel de Dallas, após ingestão aguda de drogas. O brilho do surfista da ilha da Kauai em Teahupoo é lembrado até os dias de hoje, com o prêmio Andy Irons Award, dado ao atleta com o desempenho mais inspirador do campeonato.

Fonte: 
http://globoesporte.globo.com/radicais/surfe/mundial-de-surfe/noticia/perfeicao-tubular-corais-e-briga-pelo-topo-esquentam-etapa-na-perigosa-teahupoo.ghtml